Taverna da Perdição

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 Os Humanos

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Afonso



Número de Mensagens: 156
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Personagem::

MensagemAssunto: Re: Os Humanos   Seg Dez 01, 2008 10:28 pm

* Ouviu todas aquelas coisas, depois pensou, achou que pegou um pouco pesado demais, não queria que parecesse que ele estava "gastando" o tempo com o menino de alguma forma, às vezes não queria chateá-lo, na verdade, só era seu jeitão meio grosseiro de ser, nem sempre fazia por maldade, do contrario do que as pessoas pensavam, nem sempre ele tinha prazer em machucar o sentimentos delas, é que era algo muito relativo, talvez nem Afonso se entendesse, talvez, lá no começo, se ele tivesse se empenhado para escapar da prisão e tudo mais, talvez se fosse um menino e não um homem com vida, filho e responsabilidades, talvez se a sociedade o enxergasse de uma forma melhor, ele não teria ido parar naquela prisão, poderia conseguir algo em alguma clinica, nem ele sabia direito se possuía problemas mentais, sua vida não tinha sido muito boa também, mas se fossemos pensar em problemas mentais por frustrações, todo mundo seria louco, todos tem seus motivos, Afonso tinha os dele, nem por isso seria melhor ou pior que ninguém, de qualquer forma, era muito confuso, muito, uma pessoa dificil de entender, exatamente porque era daquele jeito, inexpressivo demais, quem o conhecesse talvez pensasse que ele fosse daqueles homens revoltados da vida, outros poderiam pensar que lá no fundo existia uma pessoa boa e carente, mas ninguém nunca conseguiria falar sobre seus sentimentos, sobre a tradução de seus olhos ou aquelas coisas que as pessoas dizem ser ruins e realmente não sabem o verdadeiro significado.*

- Tá certo intão...num sei dessas coisa, num sei como qui si faiz isso, mais di quarqué forma eu vô, ocê podi mi esperá, i quando nóis si vê, nóis....

* Mas não teve tempo para falar, a única vez que talvez pudesse dizer algo, o menino só conseguiu ouvir aquelas palavras quando foi cortado e desligou na cara do homem que não pode ouvir muito mais do que algumas reclamações do outro lado da linha. Desligou, então, já ciente que em muito tempo aquela seria a única ligação, olhou para o telefone um pouco confuso e em seguida para o doutor que estava de braços cruzados olhando-o de frente, sua expressão não muito convidativa nem cativante.*

" - Afonso, ha algo que eu não te informei em todo esse tempo que estamos aqui."

- Eu sei qui as ligação é gravada i aquele bichinha óia, deve di sê u qui faiz eli si excitá.

" - Também...mas é algo sobre mim, estou saindo daqui, minha aposentadoria sairá no mês que vem, daqui poucos dias, então... não faça essas coisas que você anda fazendo...estou te acostumando mal...as pessoas não gostam muito de você aqui, a atenção que recebe comparada às coisas que você fez, elas não conhecem seus motivos, tão pouco eu, mas convivo com você e eu posso confiar, elas não, farão de tudo para que você se dê mal. O governo olha para você como despesa, e não alguém que tem que pagar pelo que fez, eu só estou lhe dando mais um conselho, você é um bom homem, eu acredito em você, mesmo que eu possa estar errado, mas acredito."

* O caminhoneiro não tinha o que falar, não estava acostumado a ter pessoas se importando com ele, somando o doutor e o Stephan,já eram duas, era algo meio inacreditável, como sempre, ele achava que era indigno dessas atenções e tudo mais. Ficou quieto, sentado, olhando para o médico demonstrando aquela pose desleixada de alguém que recebe uma bronca.*

" - Mas não posso mais deixar você usar essa linha, eu sinto muito, peça suas ligações de direito, mesmo que elas também sejam grampeadas e os homens tenham acesso ao que você fala, não posso me comprometer...entenda...eu trabalhei a vida inteira...e me senti...meio ameaçado..."

* Ele sabia do que se tratava, era o diretor novamente, provavelmente ameaçou o homem sobre sua aposentadoria caso cooperasse com Afonso e acabasse por afastar o famoso preso de conseguir mais contato com ele, era um pervertido, aquele diretorzinho babaca, o caminhoneiro se revoltou, com certeza, mas tal como ele e suas justiças, achou certo não usar mais da boa vontade do médico.*

- Num si preocupa mais com eu, doutô...

***

" - Ah....Afonso...que bom que compareceu..."

* Estava maltratado, a barba estava um tanto maior, os calos nas mãos tinham retornado, estava suado e fedido, cheirando a homem e todas aquelas coisas que tinha quando era um caminhoneiro e saía descarregando caixas, os músculos agora usados da forma que tinha que ser, pegando no pesado, estalando de tão cansados, era bem tarde, ele não tinha mais o que fazer e apenas os guardas noturnos estavam acordados, a luz da lua entrava pela grande janela do alto do escritório do diretor, os cachorros da prisão latindo incontrolavelmente tornavam o ambiente ainda mais sombrio, aquelas musicas francesas e antigas a lá segunda guerra mundial tocavam na vitrola trazendo a luxuria daqueles olhos tão intensos, cheios de maldade e gula de um diretor jovem e perverso demais. Afonso entrou, sozinho dessa vez, não tinha mais ninguém ha muito tempo, tentou ligar para o celular do garoto, mas ninguém atendia, parou de mandar cartas porque sabia que elas não chegariam. Ele esperou o homem fechar a porta às suas costas e em seguida colocar as mãos em seus ombros, passeando de uma forma erótica até conduzi-lo até a poltrona em frente à mesa, grande e confortável o suficiente para duas pessoas.*

" - Sinto muito que o novo médico tenha dispensado seus serviços na clinica..."

* Afonso não dizia nada, faltava apenas uma semana, somente uma para que pudesse sair para o Natal, a lista de confirmações chegaria no dia seguinte, e ele foi chamado para uma reunião de urgência com a direção, estranhou, mas ali estava ele.*

" - Vamos ao que interessa...tenho um envelope bem...interessante. E quero negociar com você....Não tive uma boa recepção de sua parte desde que cheguei por aqui, não queria que houvesse essa...ahm...distancia entre nós..."

* Ele circulou a mesa e se sentou do lado de Afonso, estava com uma farda militar, cheio de medalhas, metade delas compradas pelo parentesco com seu avô coronel.*

" - Você é encantador..."

* A mão do pequeno homem começou a alisar os joelhos de Afonso que estava com as mãos presas por algemas de correntes um pouco maiores que as habituais, o diretor subiu o carinho e foi se aproximando do sexo do homem, Afonso nada fez, parecia sem esperanças, tinha ouvido boatos, muitos, e eles estavam, sendo confirmados naquele momento.*

"- Me come...me come e eu libero todo mundo pra esse inferno de natal...me come e faz eu sentir o prazer que aquele moleque tem só de ouvir sua voz..caso contrário, pode gerar uma grande rebelião..."

* Ele saiu engatinhando e montou no colo de Afonso, roçando e se esfregando sobre ele, cavalgando como se quisesse instigá-lo, Afonso pôde sentir aquele perfume doce, estava mais do que claro, ele tinha promovido enfermeiro chefe que não gostava de Afonso e adiantado a aposentadoria do outro para que pudesse chatagea-lo mais de perto, afinal, depois de experimentar uma vida menos desagradável até sua morte, imaginou que com certeza o preso não gostaria de voltar à vida ruim, fora que responderia pelos demais, sempre, e quando os outros soubessem...o peso que carregaria seria muito pior. Estava muito tempo sem contato, e transformar homens em moças ali não era novidade, mesmo assim ele nunca o fez, por mais necessitado, nesse sentido tinha aprendido a se controlar, o diretor era bonitinho e afetadinho, daquele jeito, quando montou em Afonso esse o segurou pelos cabelos enquanto ele arfava, já excitado só com a ideia de, como sempre, conseguir o que tanto queria desde que tinha aceitado o cargo, mas depois de alguns grunhidos e caretas, onde o viadinho sorria perverso e gemia, Afonso lhe desferiu um soco mirado no nariz, então se levantou jogando-o no chão, em seguida subiu nele e apertou-lhe o saco, muito forte, com toda a força de seus músculos, de forma que o diretor não se conteve e deu o grito mais alto de toda sua vida, e enquanto o fez, o homem falou tranquilamente, daquele jeito grosseiro e sonoro.*

- Ocê mi dá nojo.

* Então o soltou e saiu, deixando o homem afetado, caído e choroso na tapeçaria cara do escritório.*

***

* O que aconteceu na sala entre o diretor e o caminhoneiro era sigilo absoluto, por isso, todos já estavam sabendo, mas pior, de forma distorcida, pensaram que novamente ele tinha tentado atacar mais um homem indefeso, aproveitou da segurança fraca e tardia da noite e invadiu o escritório do homem que fazia hora extra, agora o diretor estava removido para um hospital porque tinha sido sexualmente violentado e precisava de alguns dias fora, por esse motivo eles conseguiram mais reforços e para que nenhum acidente acontecesse mais ninguém seria liberado para suas condicionais de Natal, ninguém. Afonso passava a maior parte do tempo dentro do próprio quarto porque já estava jurado de morte pelos outros presidiários, esses por sua vez marcavam o começo de uma rebelião na noite de natal. Afonso estava tão inexpressivo quanto antes, concentrado em seus livros, mas ameaçado todas as vezes, a situação foi enviada pelo assistente social para o governador que decidiu que o homem seria removido antes que a rebelião começasse, deixariam na prisão de outro estado por algum tempo até que a situação de acalmasse, pois tudo estava realmente um inferno. Afonso começou a fazer as malas então, os olhos baixos e cansados, estava ficando velho, se a morte viesse logo ele realmente agradeceria o destino, ficaria feliz, não lhe restava mais muita coisa, a "justiça" dos homens lhe roubava tudo como se ele fosse um animal e não um ser humano. Recolheu os livros, as roupas e as cartas que trocava com o garoto, as leu mais algumas vezes, então dobrou e colocou na mala, vestiu seu melhor terno, sim, eles lhe arranjaram boas coisas para que ele ficasse com uma boa aparência, era a condição do governador porque precisava mostrar para a mídia que o governo cuidava de seus presos para trazer para eles uma opção melhor de vida...hipócritas...mas aceitou de bom grado, agora precisava esperar o restante do dia para que finamente saísse...MAs essas coisas de documento eram muito...muito enroladas...*

***

* Atrasado, esperou mais uns dois dias no mínimo, tempo o suficiente para a rebelião começar, o presídio estava um caos, ouviam barulhos de sinais, tiros, explosões, batidas e derivados o tempo todo, com os outros homens invadindo todos os lugares e tomando a prisão, o caminhoneiro foi removido em sigilo, com um guarda lhe buscando na cela e aqueles outros dois fazendo a cobertura no corredor, tudo havia pressão por todas as partes, mas ele jamais esperaria aquilo...Não...não poderia ser...*

- Mais u que...

* Não teve tempo para pensar, aqueles olhos grandes chamando por ele, aqueles cabelos sangüíneos richecoteando no ar e aquela silhueta pequena vindo em sua direção... por que? Não teve tempo de acompanhar as coisas, o único som que escutou foi o dos tiros de revolver que invadiram o único corredor silencioso, não pôde ouvir nem mesmo o grito do nome do garoto que soltou instintivamente quando viu sangue sair por sua boca e ele bater no chão. Menos de um segundo depois dos homens terem conversado sobre o que fazer, Afonso já tinha tomado suas atitudes, como foram burros, poderiam agir ao invés de conversar, o grande erro de todas as pessoas que conheciam Afonso é que sempre o subestimavam pela impressão que sua aparência passava, não o enxergavam. Afonso correria atrás do menino, mas foi seguro por segundos pelo guarda que causou a própria morte quando o homem cego de fúria quebrou-lhe o pescoço e roubou-lhe a metralhadora, sem medo dos outros a frente que estavam mais equipados porém não tão seguros, ele apertou o gatilho e atirou naquela parede de guardas à sua frente até que todos caíssem, surreal, mas a cegueira da raiva faz milagres e devastações. Ajoelhou-se frente ao menino e passou a mão grosseira em seus cabelos, puxando-lhe o corpo para abraçar.*

- Mulequi! Acorda! Stephan! Me responde! Mi respondi seu disgraçado!...

* Tinha um tom de desespero em sua voz, ele mantinha os olhos baixos e marejados, respirou rápido demais tentando digerir aquelas informações, tinha que agir, tinham que sair dali, precisavam de um lugar, esconder ele, conseguir um médico competente, mas como? São coisas que um presidiário não arranja em uma cadeia no meio de uma rebelião, estava com a roupa suja do sangue do garoto, engoliu em seco e o segurou pelo braço, era forte, pouco importava o quanto caminharia com ele, o carregou apoiando o abdômen dele no ombro, e quando passou por aquele mar de sangue e policiais no corredor ele arranjou mais algumas armas, estava carregado. Tinha que arranjar algum lugar! Passou por outro corredor extenso e sempre que aparecia alguém, ele sequer olhava quem poderia ser, atirava de qualquer forma, saiu matando homens e policiais, mais do que deveria, em lugares sombrios com toda aquela confusão acontecendo em todos os lados, tudo por causa dele, dele e de sua justiça intocável. Queria ir para a saída, mas não tinha como, tudo estava cercado e a noticia de que ele havia fugido já tinha chegado para o batalhão, o cercaram e começaram a falar no megafone, o que foi muito pior, porque agora os presos sabiam que ele estava ao alcance dele também. Afonso não viu mais saída, mas pensava que podia falar com o garoto, ele estava sendo rápido, então encontrou a salinha, a mesma aonde eles sempre se falavam, estava vazia e a chave estava do lado de dentro, porta era de ferro e aquela janela de vidro era blindada, eles não passariam tão rápido, não o pegariam assim fácil. Entrou e trancou, depois colocou o menino sobre a mesa, subiu tomando cuidado para não lhe fazer pressão, a luz da lua os iluminava pelas frestas das pequenas janelas, ele olhava para Stephan passava a mão em seu rosto, chacoalhando e chamando-o sem parar.*

- Stephan, pelo amor...por favor...fala comigo...não morre...por favor, não morre...

* Já tinham encontrado eles, a gentes e bandidos travavam uma guerra ao mesmo tempo que corriam par invadir aquela saleta.*
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MensagemAssunto: Re: Os Humanos   Ter Dez 02, 2008 6:02 am

* Sirenes vermelhas giravam pelo lugar frio e cinza enquanto aquele sangue quente se espalhava pelo chão. A dor foi tão aguda, tão quente que atingira um ápice tão alto nos sentidos do menino que sumia com tudo... Com o som, com o tato, com a visão, com o cheiro... Com o impacto contra aquele chão de cimento, sequer sentiu. Não sentia mais nada. Sequer teve muita consciência do que aconteceu, ele foi apagando, apagando de maneira que até ficava confortável. Sua consciência sumia, se refletia para dentro, ele não conseguia pensar, nem mesmo respirar, algo tinha bloqueado sua garganta que só sabia verter sangue por seus lábios e o inundar ainda mais. Os furos no pulmão o faziam se afogar em sangue sem poder respirar enquanto tornava-se levemente arroxeado, engasgado sem poder tossir com os batimentos, antes acelerados da corrida, tornando-se lentos desenfreadamente. Quase não sentia mais a cena... De muito, muito longe ouviu Afonso atirar e logo em seguida lhe acolher chamando-o. Não tinha noção para pensar mais, mas se pudesse, tudo o que pediria era que ele o abraçasse e ficasse com ele em seus braços acalantes e mornos até que ele sumisse de vez. Estava mais mole do que costumava, ficando gelado muito rapidamente, e hemorragia interna e externa era grande, seus cabelos balangavam com os movimentos. Não sabia onde estava, só enxergava Afonso sobre si como se estivesse dentro de um túnel muito longo e distante... Tremeu os lábios como se cogitasse responder, mas mais sangue vazou e Afonso poderia perceber que ele estava engasgado em sangue. Destaque demais para seus olhos muito verdes e seus cabelos tão vermelhos como se assombrassem o homem, espalhados ali junto ao sangue. Sangue que começava a vazar com menos intensidade. Eram as batidas sanguíneas que enfraqueciam e a escassez de sangue. Era tão injusto. Tão completamente injusto. Ele não queria morrer. Pela primeira vez que tinha a chance ali, não queria morrer. Queria passar o Natal com Afonso, queria abraçar ele, beijar ele, tocar nele. Mexeu o braço muito minimamente, como se usasse todo restante de consciência tubular ali, segurando um dedo da mão de Afonso com seus dedos fracos e finos, seus olhos verdes estavam aguados, querendo chorar, tremeluzindo aquele olhar de boneca de vidro. Ele cuspiu mais sangue e então, continuou ali, olhando para ele, para Afonso. Os olhos fixos, sem vida mais, sem batimentos, sem nada. Ele não obedeceu ao homem, por mais que desejasse do fundo de sua alma. Ele morreu, finalmente ou não, ali olhando para Afonso. Talvez da maneira que deveria ter sido naquele quarto quando foi seqüestrado desde o começo. No dia de Natal, enquanto todos comemoravam o nascimento de Cristo. No dia que todos cantavam, riam e comiam exuberantemente, ele morreu em cima de uma mesa de um presídio. Seus sentidos finalmente o abandonaram para sempre.*

***

* Do lado de fora, Rogers corria de um lado a outro, desesperado ouvindo o tiroteio, a guerra que ocorria e o menino lá dentro... A consciência pesando em suas costas. O arrependimento amargo de ter maculado aquela criança. Era uma criança, mesmo com dezessete anos, Stephan era uma criança. Câmeras. A mídia já estava lá passando ao vivo a rebelião do presídio. E logo tentavam entrevistar Rogers...O advogado binário. Do acusado mais famoso e da vítima mais famosa. O que fazia ali? Como num ato de consciência ou loucura, ele falou:*

“ – Querem uma coletiva? Esperem tudo isso acabar que vou lhes contar tudo que sei sobre Afonso Volkcydek e Stephan Rozen-Kreuz...”

* Mais tiros ouvia-se lá de dentro e os policias nada queriam informar para quem estava fora*/

_________________
- R o s h i e r u -

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MensagemAssunto: Re: Os Humanos   Ter Dez 02, 2008 9:01 pm

* Sentia todas aqulas tentativas do menino de permanecer vivo, aquilo só o causava ainda mais raiva..."raiva"? Mais dor...Era aquilo? Aquilo era sentir dor? Aquilo era o que as pessoas chamavam de aperto no peito? Ele estava suado, as gotículas que banhavam-lhe o rosto somavam-se as lágrimas contidas que pela primeira vez teimaram e desceram, poucas, pois ele não se permitia chorar, "homem não chora nem por dor nem, por amor". Abraçou Stephan, a roupa já estava toda manchada de sangue mas esse detalhe era completamente descartavel, pela primeira vez, ele não sabia o que fazer, ele não sabia como salvar o menino, como se salvar também, no fundo, quando sabia que ele estava bem, ficava bem também, as vezes era confuso, pensar se era por gratidão, por divida ou pelo famoso sentimento que todos gostam tanto de usar: amor. Os policiais continuavam a chacina do lado de fora daquela porta, antes Afonso sentia as tentativas de vida do menino, tinha medo que eles entrassem e acabassem com tudo, mas agora, como sempre, como foi a vida inteira, ele não teve mais medo da morte, sabia de muitas coisas, que ela viria mais rápido do que ele esperava se conseguisse sair vivo dali, que sua vida seria um inferno e que tudo não valeria mais a pena, ele não tinha mais nada, não tinha porque se manter vivo.

At the top of my lungs in my arms "he" dies

Então com o menino nos braços, de costas para a porta, ele continuou segurando-o até que entrassem, uma das mãos com a arma para o primeiro que se metesse a besta para entrar, ele sabia que o menino estava morto, mas era tudo questão de instinto, de proteção, nada que a lógica explicasse, nem ele sabia o porquê de estar aqui, poderia tentar dar qualquer jeito de sair de lá e se salvar, mas simplesmente não conseguia pensar em algo covarde assim.........................Então a porta abriu.......................Muitos guardas entraram ao mesmo tempo e como se estivesse em meio a uma guerra, Afonso apertou o gatilho da arma sem dar atenção para onde estava atirando, apenas sabia que precisava atirar, girando o corpo, mas antes que pudesse conferir com sua visão em camera lenta se tinha acertado alguém, ele recebeu um, dois, tres, dez tiros bem distribuídos pelo corpo...

If I fall (down)

Seu cerebro latejava informando-o que corpos estranhos estavam invadindo-o, corpos pequenos, quentes de polvora, sujos e impregnados de metal, coisas que não faziam parte dele e agora comprometiam o funcionamento de seus orgãos, ele tentava avisar que Afonso tinha que ser forte, que não podia dormir, mas o pulmão debilitado pelo cigarro dizia que o tempo daquele homem de meia idade há tinha chegado, então que tudo estava bem e ele podia ir, o Deus que nunca existiu não enxergou que tinha outro alguém naquela caverna escura à procura da luz, Afonso pediu, ele queria abandonar logo a vida, mas lhe deram as costas como sempre fizeram, ele era indigno até da vontade da morte. Caído em cima do corpo do menino como se o protegesse de qualquer outra tentativa de abuso, ele implorava pelo descanso que demorava para chegar*

***

*"Sorte" é que naquela hora as tropas federais tinham chegado, a noticia sobre o preso que estava tentando salvar a vida do garoto já estava na boca do povo, distorcida, mas o suficiente para que o presidente fizesse uma unica ligação para o governador, pois o povo não poderia ficar sabendo das corrupções da policia, o dono do estado ficou temeroso com o julgamento do público, e sua unica ordem em pouquissimos minutos foi: mantenha-os vivos.*

***

* Barulhos de apito, luzes muito fracas e seus neuronios tentavam informá-lo de que as coisas não haviam acabado ainda, mas ele não conseguia abrir os olhos, tudo acontecia como se ele estivesse em um outro plano e apenas conseguisse distinguir as coisas, ainda de forma não muito clara, sentiu um aperto e uma onda muito forte que invadiu-lhe o corpo inteiro, gente gritando e se esforçando, aquele apito constante que deveria ser o sinal de seu coração, outra onda elétrica que o invadiu e fez tremer até o ultimo fio de todos seus tecidos, aquilo era incômodo demais, por que simplesmente não o deixava em paz? Mais uma onda e o barulho constante de repente não se tornou tão estendido assim, foi como se ele tivesse sido sugado para a fonte de onde ele conseguia distinguir esse barulhos, agora não estava mais em segundo plano, simplesmente tinha voltado para a consciência do próprio corpo.*

***

* Parecia que muito tempo havia passado, parecia que tinha envelhecido mais uns dez anos no mínimo, ficou triste de saber que não era isso, sentia inumeras agulhas presas ao próprio corpo, sentia que estava respirando pela ajuda de aparelhos e por falar nisso, sentia que não precisava mais deles, tirou um cano relativamente grande que estava em sua boca e assim que o fez, conseguiu olha ao redor do corpo, estava cheio de costuras, como se fosse um homem retalhado somado à todas as outras cicatrizes que já tinha. Olhou para os lados, ainda enxergava tudo embaçado, não conseguia distinguir as coisas direito mas sabia que alguém estava ali, por um ninuto tentou falar, fraco.*

- "...léqui?"

* A pessoa se levantou, então foi segurar na mão de Afonso, não, não era quem ele pensou que poderia cuidar dele...*

"- Não...meu bom homem..."

* Era o médico-policial que se aposentou antes da rebelião.*

- ...

" - Que bom que acordou...todos vão gostar disso..."

* Claro que naquele momento ele não entenderia, mas assim que os enfermeiros foram chamados, e ele já estivesse melhor para poder conseguir ver as noticias, ficaria sabendo sobre o que estava acontecendo. Um certo advogado foi à midia contar a história de um caminhoneiro e um menino, com todos os detalhes que sabia, uma multidão que tinha ido no enterro daquele menino reflexo da sociedade sem coração e sem honestidade, agora acampavam frente ao hospital orando pela vida de um homem injustiçado, sim, aquela mesma sociedade que estragou a vida deles e agora hipocritamente os acolhia. Desgraçados. POR QUE??? POR QUE SE METIAM TANTO AONDE NÃO ERAM CHAMADOS?! Ele simplesmente queria morrer...

If I died we'd be together now

Poderiam ter deixado-no morrer, quem eles pensavam que eram para saber se a morte era uma coisa boa ou ruim? Por que esse pensamento tradicional e errado de que os bons mereciam a vida? E se possuiam esse pensamento, quem foi o ridiculo que disse que ele era um homem bom? Julgar, dizer, rotular, falar, apontar, são todas coisas fáceis demais, coisas que a sociedade estava acostumada desde o pricipio dos tempo, todos são prepotentes e arrogantes, todos foram cortejados pelas leis dos direitos humanos a que tanto falavam, mas essas les não passavam de mentiras, máscaras para agradar os conservadores e mentir dizendo que tudo ocorria bem com o planeta. Por que viveria em um mundo assim? Por que pais ainda concebiam filhos? Outro motivo para não participar da vida de Tony, ele não quis polui-lo, ele quis que o menino enxergasse tudo isso por si mesmo, de fora, sem participar, sem sofrer, e agora ele era um bom menino que se tornava um homem digno, o homem digno que ele nunca foi. Mas a justiça dos homens nunca cederia ás próprias decisões, nunca admitiria os erros, não retornariam, pelo contrário, prosseguiriam, então o processo referente as mortes que Afonso causou só fez com que seu tempo de vida diminuisse, mesmo que a sociedade glorificasse o novo rebelde justiceiro, mesmo que ele pensasse que não precisava ter esperado para "morrer certo", tinha ainda mais um mês até sua morte.*

***

* De volta a prisão, de volta àquela rotina, ha algum tempo, aquelas paredes brancas só eram paredes brancas, tudo não tinha mais poétca, desde que havia voltado, tudo era apenas uma espera, um antecipação, era triste, mas era bom, era como esperar pelo grande dia em que se vai para a excurção da escola, com aquela sensação que não te deixa dormir mas diferente do passeio, quando chegasse a excursão ele dormiria para sempre. Caminhava por aqueles corredores de volta de suas atividades, oh sim, como sempre sua recuperação foi bem rápida, então ele foi obrigado a voltar para suas atividades habituais até que finalmente chegasse o grande dia. Enquanto isso, quem o conheceu, quem conheceu sua história, ganhava a vida às suas custas, ganhava fama, aparecia na mídia, e só não ficavam mais famosos que os proprios personagens. Os presidiários tinham se acalmado e de acordo com o molde da história que foi contada, de repente até os guardas pareciam demonstrar compaixão. Bando de burros. Eles não conheciam a história de Afonso e Stephan, ninguém os conhecia, ninguém sabia de nada, e mesmo assim achavam que podiam pensar algo, concluir sobre qualquer coisa, isso que o irritava. Sentia falta de alguém que o entendesse, sentiu falta de todo aquele carinho que era direcionado à ele, sentiu alta do cheiro de melancia que o afagava, sentiu aperto no peito, dor, e todo o restante que o fazia querer sair de uma vez daquele muito injusto. Sentiu alivio quando percebeu que chegou seu ultimo dia, aquele que precedia sua morte, ele tinha direito de pedir o que quisesse, no dia seguinte, de manhã, estaria na cadeira elétrica. Mas não tinha vontades ou desejos, então baseou-se pelo que sempre fez, pediu cervejas, cigarros e alguém à sua disposição para acompanha-lo e deixa-lo se despedir do mundo que nunca quis deixa-lo. Foi passear, como em um excursão mesmo, o primeiro lugar que visitou foi a taverna, com o mesmo barman, as mesmas prostitutas e os mesmos bebados que o conhecia agora melhor do que antes, mas não conseguiram sequer chegar perto dele, uma porque estavam surpresos, outra porque Afonso não parecia muito convidativo, depois de beber algumas cervejas, ele não entendia porque não conseguia mais ficar bebado, rumou para o banheiro e era como se assistisse os fantasmas de suas memórias...

And all the smiles that are ever gonna haunt me

...saiu caçando esse fantasmas, passando como se fosse um terceiro que seguisse suas almas com o olhar, conseguiu ouvir as batidas das pernas deles subindo as escadas enquanto o menino tentava fugir, chegando no quarto, os viu, todos eles, os viu na cama, na parede, no chão, no banheiro, no bau que não existia mais ali, ouvia as musicas de comercial, ouvia todo o restante, sentia como uma vibração em sua pele, eles estava esperando-o, Afonso tinha que ir logo, o menino esperava por ele...caminhou até a janela, em passos lentos, foi bem por acaso, daquela vez não tinha multidão cercando-o, ele tinha feito tudo em sigilo, e seu velho caminhao continuava ali, estacionado, estava com a pintura ruim, os pneus baixos e sujo do tempo, não parecia uma sucata porque sempre fora bonito, mas foi completamente esquecido, aquele que um dia o homem disse ser seu melhor amigo, continuou quieto aguardando seu retorno, mas quando ele chegou, foi unicamente para dizer adeus. Dali não havia mais o que fazer, o ultimo lugar que visitou foi o hotel aonde ficaram por tão pouco tempo, retornando a prisão fez o mesmo caminho para a sala, ele tinha evitado ela por enquanto, tinha medo daquela sala que o chamava, como um uivo, mas dessas vez ele foi, e ficou ali, de noite, passando os ultimos momento livres de sua vida com Stephan.*

And all the wounds that are ever gonna scar me

***

* Acordou cedo, ainda tinha o direito de pedir seu ultimo café da manhã, mas estava sem fome e queria que tudo acontecesse logo, ao mesmo tempo que as coisas demoravam, íam rápido demais, ficou aguardando, sentado em sua cela branca, não recebeu a visita de ninguém, não que não quisessem, mas ele não queria mais ver ninguém, queria se desprender de vez daquele mundo, ficou sozinho vendo as cartas e os desenhos do menino, todos enviados para ele pelo hospital, novamente, por pessoas achando que sabiam alguma coisa sobre justiça, no fundo ele agradeceu, mas só contribuiu para sua melancolia. Vendo tudo aquilo, a resposta para todas as suas perguntas, sempre tão clara, simplesmente nunca tinha sido aceita por ele, mas quando se perde é que se dá valor, alias, tinha dado valor, do jeito dele, mas ninguém o entendia, nem o menino, ele sempre tinha demonstrado o que sentia, do jeito dele, não era muito de usar palavras porque não sabia usa-las, mas imaginava que ele soubesse, que ele sentisse, que apesar da resistencia do homem para admitir, eles foram um casal bonito, um casal que se amou de verdade, porque o conceito de amor não precisa ser necessariamente o que as pessoas costumam ver em novelas e filmes, e ninguém pode contraria-lo. Não chorouquando descobriu isso, ou pensou nisso, porque já havia feito outras vezes, mas ninguém precisava saber, não mais por vergonha ou por preconceito, mas dessa vez porque algo assim não lhes dizia respeito. Chegou o momento, e vestido com aquele uniforme laranja de sempre, a camiseta branca e o sapato preto, a barba estava bem feita e ele não possuia nenhum objeto de metal, os cabelos estavam raspados porque precisariam colocar um pano molhado em sua cabeça, ele sentou e ouviu a sua sentença, mas na verdade, não absorveu palavra nenhuma, sentiu uma paz muito grande, sentiu que finalmente sua hora chegaria, que finalmente encontraria o garoto no inferno, que poderia esbofeteá-lo por ser tão teimoso e depois disso ririam e correram por umbras sombrias e caminhos de lavas quentes com cheiro de enxofre, não que acreditasse nessas coisas, mas era confortante imaginar...mas estavam demorando demais para fazer, demorando demais...*


Última edição por Afonso dia Ter Dez 02, 2008 9:11 pm, editado 2 vezes
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MensagemAssunto: Re: Os Humanos   Ter Dez 02, 2008 9:05 pm

***

* O telefone tocou, uma...duas...tres vezes, até que o governador atendeu, sim, essa é a lei, quando alguém é condenado à pena de morte no momento de sua sentença liga-se para o governador, e ele é a unica pessoa que pode salvar a vida do infeliz, se salvo, terá de absolve-lo de todos os crimes, limpar sua ficha e a pessoa pode seguir sua vida em paz, não sendo, teoricamente, apontado pelos crimes que cometeu. O que estava acontecendo é que a sociedade estava pressionando demais o homem que agora sentava na poltrona de comando politico, estava proximo das eleições, era algo muito maior do que a justiça dos homens, agora tratava-se de um ato politico para a re-eleição, eles queriam aquele rebelde solto, eles queriam ele vivo, porque a vida era boa e ele merecia ela, caso contrário a sociedade não tinha respeito aos direitos humanos.*

" - Absolva-o de todos os crimes."

* E desligou o telefone para dali seis meses continuar no poder.*

***

* Não sentiu aquelas ondas das quais se lembrava e pensou que invadiriam-no por inteiro até que o corpo não mais respondesse, a ideia de encontrar com o menino do nada escapou, saiu voando em sua mente como se ele o abandonasse, Afonso mantinha os olhos fechados, mas quando abriu viu que todos sorriam para ele, quando apurou os ouvidos sentiu que uma multidão celebrava vitória, quando forçou os pulsos sentiu que estavam solto e quando olhou para cima não tinha mais capacete que o libertaria. Estava vivo...Vivo e preso...Vivo e livre para a escravidão da vida...Seria torturado, eternamente...covarde, ele não poderia ter feito o que estava na mão de todos que não o ajudaram, covarde, agora ele chorava como uma criança, ainda sentado na cadeira enquanto o guarda dizia o texto de liberdade para ele e o restante que aplaudia sua "vitória", covarde, apegou-se àquela cadeira que seria sua morte até que a tivesse, até que o tirassem de lá e o levassem para buscar suas coisas para poder voltar ao mundo que ele tanto quis quis ficar e agora tanto quis deixar, covarde e aos prantos, ele saiu daquele lugar deserto e foi levado até outro lugar que o acolheria já que ele não tinha casa, covarde, aos prantos e morto, fugiu daqueles que o perseguiria até que seus quinze minutos de fama finalmente acabassem, mal eles sabiam que o castigo que ele sempre imaginou que receberia, ele teve. Stephan estava longe dele e a promessa de uma morte feliz também, como ele sempre imaginou que seria, um homem que existe para sofrer, não tinha mais sede de vingança ou vontade de justiça, apenas a maior espera que poderia ter pelo resto da vida, a espera pela morte.*

The Ghost Of You

***

- U qui aconteceu cum eli, papai?

" - Nóis matô eli."

- Proquê?

" - Proquê eli gostá di homi, i isso num tá certo."

* E depois disso o menino Afonso nunca mais foi para os estábulos.*
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MensagemAssunto: Re: Os Humanos   Qua Dez 03, 2008 6:20 am

* Uma hora os tiros cessaram. Um alvoroço cobria a saída da penitenciária, helicópteros também tentavam pegar imagens e o lugar só parecia verter sangue de todos os lados. Rogers estava apreensivo com a imprensa pesando sobre ele a espera de seu depoimento prometido. Tirava e recolocava os óculos no rosto suado, sua roupa de folga em pleno Natal, a imprensa não podia parar... Muitas ambulâncias foram chamadas, carros e mais carros carregavam os corpos para o IML local.Stephan não saía de lá, andando, com aqueles cabelos rubros esvoaçando e os olhos chorosos de desespero e medo... Muitos saíram medicados e já ensacados… O advogado descobriu o que acontecera lá dentro através dos policias e quando foi ter que fazer o reconhecimento do corpo do ruivinho. A culpa lhe causava enjôos, já não sabia mais o que fazer para compensar a própria alma... O rosto lavado de lágrimas, uma bancada e o mundo lhe filmando o horror que seus olhos escuros expressavam… Ele contou, tudo o que sabia para a imprensa. ,Tudo pelo que Steph passou para ficar ao lado de Afonso mesmo depois de estar na clínica, os encontros deles, o estupro na sala, as cartas, mostrou as que Afonso mandara e os desenhos feitos pelo garoto, girava na tela da TV seu “25” circulado pelo coração. Seu “Eu te amo Mr.A”. Tudo o que Stephan lhe segredava sobre quando estava no quarto, suas fantasias, seus desejos de estar com o homem que amava, sua pureza ao falar naquilo. Tudo o que podia enxergar e invejar daquele amor que desejou possuir conquistado pela doçura do menino ruivo. O modo como via Afonso esperar pelas visitas e ligar no celular do menino.Com a ajuda do Doutor-médico da clínica de Afonso, conseguiu divulgar conversas que eles tinham pelo telefone, conforme contava os sorrisos sonhadores de Stephan lhe vinham a mente e faziam suas lágrimas rolarem. Contou que levou Steph no presídio para que buscassem Afonso para o Natal, e que o menino entrou no meio daquela rebelião. O mundo agora sabia e podia chorar com a história, mas não mais que Rogers... O advogado que num estouro errou e levou o garoto para o meio do tiroteio. E a própria mídia agora acolhia a nova versão, tentando corrigir o erro anterior, ignorando o fato das mortes de Klein e Nina. O enterro de Steph foi como daqueles artistas, num mausoléu da família, seguido por muita mídia num pátio coberto de neve e um túmulo com a frase:*


“Aqui jaz a injustiça dos homens – Stephan Rozen-Kreuz - 24/11/1992 – 25/12/2008”

* Frederich Ledger e Thomas Heargraves ambos vestindo preto elegante perante ao túmulo rodeado de neve e flores, rosas, jasmins e crisântemos, se reencontraram após dois anos de distância. Ambos tinham estado fora do país. Frederich foi mandado para uma escola famosa na Alemanha, terminar o colegial. E Thomas foi morar com metade de sua família que era inglesa. Só ficaram sabendo do que houve porque o caso acabou repercutindo internacionalmente...Logo puderam visitar o túmulo de Steph e de Klein e gravar a marca “GP” de Garotos Perdidos em cada um dos túmulos. Era estranho se encontrarem... Ainda havia atração. Ainda havia a sede por aventura nos bares noturnos, das brincadeiras nos quartos, do vinho-achocolatado e quente logo de manhã... Eles juraram, juraram que sempre seriam os Garotos Perdidos. Mas não podiam continuar tal legado. Fred era mais velho, repetiu dois anos – dizem as más línguas que ele só havia repetido para poder continuar na escola com os rapazes – estava noivo lá na Alemanha, ele continuaria o nome da família. E Tom aguardava a resposta de Oxford para que o recebessem em uma bolsa integral para cursar medicina... “- Eu ainda te amo” diziam os lábios do rapaz mais novo. Fred sorriu e junto dele colocou flores para Steph.*

***

* A mídia fez todo tipo de gravação e matéria sobre eles, procuravam Afonso, Rogers, o Médico a clínica, alguns tinham imagens do quarto todo montado para o Natal, dos presentes e das recadinhos de amor do ruivinho; mas isso tudo, depois de cerca d eum mês já tinha se esgotado e o caso Rozen-Kreuz havia sido arquivado na mente de todos como mais um. Apesar que ele deixou sua marca, e ela vai se perpetuar, porque o que o mundo todo sabe é que Stephan Rozen-Kreuz existiu. Ele existiu e isso é tudo o que importa.*

***

How much is that dog in the window??Lá, lá, lá! with the...lá lá tail...
Quê? Já está gravando? Certo! Oi, sou Stephan Rozen-Kreuz, hoje completo dezessete anos. E afirmo estar em sã consciência para gravar meu testamento. Motivo? Sou um suicida em potencial. E possuo uma fortuna multibilionária remanescente de muitos séculos de existência da minha família. Não sei ao certo quanto, meu advogado disse que é cerca de 20 bilhões de dólares, mas que isso fica rendendo no banco toda hora, por isso ta sempre crescendo... Bom, não entendo disso. A minha vontade era que Mr. A...Afonso Valkcydek fosse feliz, que eu pudesse fazê-lo feliz. Eu deixaria tudo que tenho para ele. Daria tudo... Mas tem coisas que preciso fazer bem calculando... Afonso é orgulhoso, ele nunca aceitaria algo assim de mim... Mas acho que tem alguém que mereceria tanto quanto... E que com isso eu também poderia fazer o Mr A feliz! Deixo toda a fortuna dos Rozen-Kreuz para Antonio Valkcydek. Tenho certeza disso. Tony é a pessoa que esse mundo precisa. Um alguém que em todo meu sofrimento me ajudou sem querer nada em troca, sem preconceitos ou máscaras. Um gesto gentil dele demonstrou para mim como ele era. Uma pessoa que enxerga as coisas como elas devem ser vistas. Tony...Seu pai teria muito orgulho de você. As minhas condições? Ahn, não tenho nenhuma. Só que aceite. E seja feliz. Seu pai tem um jeito meio distorcido de mostrar amor e sentimentos, tem o jeito próprio de se expressar, tenho certeza que foi culpa do mundo, mas isso não é um defeito... Ele sempre se preocupou com você... E eu? Eu o amo. Tão simples assim...Ah, chega, você só vai ver até a parte das condições mesmo, hehehe...Até mais!



--------------------------------------------------THE END----------------------------------------------

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MensagemAssunto: Re: Os Humanos   Seg Jan 26, 2009 10:48 pm


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MensagemAssunto: Re: Os Humanos   Qua Mar 04, 2009 5:22 am


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